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Retrospectiva 2004 (2ª Parte)

28/07 GP Brasil. Tempo de festa, de torcer pelo turfe. Semana de trégua àqueles que atravancam o desenvolvimento da atividade no país. Que o espetáculo tenha a magnitude da sua tradição.

04/08 Os números do domingo são a prova mais contundente de que o Grande Prêmio Brasil, como evento social e esportivo, está sendo levado ao fundo do poço. Que ele ressurgirá, não tenho a menor dúvida – como turfista apaixonado que sou. Porém, quanto mais próximo do fundo estiver, maiores serão as dificuldades para reerguê-lo.

11/08 Para que vocês tenham idéia de como é mal conduzida a imagem do JCB, mesmo quando envolve custos, na quinta-feira (29/7), um release divulgando o GP Brasil foi enviado à mídia, com o pedido de alta prioridade, responsabilizando-se pelo material LP17&Datz Comunicação.

O texto, que imagino tenha sido aprovado pelo setor de Marketing do clube, destacava a presença do Goncinha, que todo mundo àquela altura já sabia que não viria ao Brasil; chamava o Don Piazzolla de Don Piazza (por conta, quem sabe, da intimidade com o assunto); concedia 87 anos ao Rigoni, que tem 78; contava que o mesmo Rigoni “arquivou” o chicote em 1972; e, complementando o rosário de abobrinhas, informava que Juvenal (nascido em 1954) parou de montar aos 31 anos. Um verdadeiro capítulo a mais para o FEBEAGA – Festival de Besteiras que Assola a Gávea, digno das imortais criações do Stanislaw.

18/08 Fontes ligadas à presidência revelaram, sem muitos detalhes (até por não tê-los), que um estudo realizado durante o mês de junho apontou para R$ 180 mil o acréscimo nos compromissos do clube no caso dos prêmios serem majorados em 10%. Pergunto: por que não realizaram este levantamento durante a campanha, evitando, dessa forma, que o aumento dos prêmios fosse incluído nos compromissos eleitorais?

01/09 Claro que os comissários escalados para atuar nas corridas não podem, cinco minutos antes da largada do primeiro páreo, estar nos agentes credenciados. Mas, outros comissários podem. E deveriam fazê-lo, para observar e confirmar o relato abaixo ao presidente da CC e aos seus pares.

Ninguém suporta mais as reclamações, muitas vezes feitas com extrema deselegância pelos comunicadores da TV Turfe, contra o ritmo dos apostadores, que, normalmente, só definem seu jogo o mais próximo possível à largada.

08/09 A grande verdade é que o desempenho do pessoal da TV Turfe repercute a falta de prumo que domina a administração do turfe carioca. No domingo, muito melhor do que ficar pedindo para que os apostadores fossem “tocados” para a fila, como se tratasse de um rebanho, teria sido apresentar os replays das vitórias da Anita Mel no Cristal, reforçando o grande favoritismo da filha de Arambaré e, aí sim, muito provavelmente, colaborando para aumentar o volume de apostas.

15/09 Daqui a alguns anos, asseguro que não muitos, revendo a trajetória do turfe carioca, interessados e historiadores irão se aperceber com mais clareza da mazela provocada pela derrota de Julio Bozano, em 2000.

22/09 No turfe brasileiro, é bom que fique bem claro e com todas as letras, não preenchem os dedos de uma das mãos os criadores que têm recursos para pouco se importar com os hipódromos locais e seguir em frente tendo – unicamente – as pistas e o mercado exterior como metas. E empresários deste porte não costumam rasgar dinheiro.

29/09 Não é possível que o descontrole do comissário conhecido como “Meiguinho” possa gerar um conflito que, certamente, irá agravar ainda mais o clima do turfe carioca. Espero que prevaleça o bom senso. Evidentemente, se alguém deve ser punido, não é o titular do Stud Eternamente Rio – que merece, isso sim, a gratidão do JCB pelo que tem feito em benefício do turfe carioca.

13/10 Na edição desta semana, circulando desde sábado, a Veja Rio (encarte carioca da Veja) traz matéria de capa focalizando o Hipódromo da Gávea. Imagino o frisson que deve ter provocado na corte do presidente Taunay. O texto parece pautado pela linha de interesses e ações do JCB e, sendo assim, não dá a menor atenção à agonia que massacra a atividade principal do clube. Inclusive, ironiza, na capa: “Academia zen e restaurante novos, teatro infantil, feira de moda e festivais. Tem de tudo no Jockey Club, até corrida de cavalo”...

20/10 Surpreende mesmo que a falta de sensibilidade (para não carregar na tinta) predominante no Marketing do JCB tenha permitido o envio da foto ao Globo. Eis a legenda: “Diante da tribuna vazia e de um fã solitário, Jorge Ricardo comemora com a manta da 8.834ª vitória”.

Nada poderia retratar melhor o descaso com o turfe carioca. Está lá, estampado no jornal mais importante do Rio de Janeiro. Não houve esforço algum para, pelo menos, atrair um público maior do que o formado pelos “heróis da resistência”, grupo de turfistas que ainda freqüenta a Gávea.

A foto, que deveria ser apoteótica, é melancólica.

27/10 A “Síndrome do Banamine” é a maior sinuca de bico da era Taunay. Decisões extremadas, invariavelmente, como conseqüência, apresentam uma conta muito alta. No segundo semestre de 2000, portanto, ainda no início de seu primeiro mandato, através de resolução da Comissão de Corridas, a gestão Taunay simplesmente acabou com a tolerância, radicalizando.

Precisou estourar uma bomba atômica, detonada pelo resultado do exame do potro Match Point (valente ganhador do GP Linneo de Paula Machado, Grupo 1), cujos efeitos se potencializaram através dos comentários envolvendo as análises das urinas de Magic Lamp e Magic Academy (ainda mais, Trombadour e Nosso Cigano), para o JCB, segundo consta, revelar-se sensibilizado à gravidade da questão. O turfe sabe que os potros do Stud TNT não precisam ser dopados para vencer.

10/11 O JCB não se emenda. Não tem jeito. Sua forma de se relacionar com os turfistas, ano após ano, apresenta uma notável capacidade de involução – por incrível que pareça! A NET Digital, suas definições comerciais e de programação, obviamente, não foram produzidas em 15 dias. Mais um desrespeito explícito praticado contra os mal-informados e maltratados turfistas do Rio de Janeiro.

24/11 Não serei o agente estimulador da caça às bruxas. Neste episódio, como em outros de passado recente, serei, sim, ao lado dos (poucos) companheiros da (verdadeira) imprensa e do turfe comprometidos com o bom combate, um defensor intransigente da transparência.

Os rumores de uma Quinexata inteira manipulada mancham a já pouco consistente credibilidade do turfe carioca, ferindo a honra da atividade em todo o país. Há unanimidade em torno da máxima que assegura não existir nada pior para uma casa de jogo do que a desconfiança sobre a lisura da mesma.

Quatro anos e meio de total exclusão do turfe dentre as prioridades políticas e administrativas do clube, o congelamento dos prêmios e comissários de corridas de pouquíssimo saber para a função, entre outros descalabros, compõem uma fórmula permissiva, ideal para que germinem manobras acalentadas pelo aconchego da impunidade.

08/12 Quando interditou o bombril para realizar a ampliação da Sede da Lagoa, Taunay prometeu que, tão logo terminassem as obras, iria reformar e devolver a pista auxiliar. Resta ao presidente algum outro caminho que não seja o de cumprir a promessa?

15/12 Bom, para não ficar apenas na desesperança, registro o clima ameno e de confraternização que pontificou durante o jantar promovido pela Associação Carioca dos Proprietários, na quinta-feira 9. Apesar da evidente revolta contra a administração do JCB, pequenos, médios e grandes proprietários lotaram a Churrascaria Plataforma, em mais uma demonstração de garra para defender o turfe carioca.

“Com ações coordenadas, vamos retomar o clube das mãos dos fariseus”, encerrou a sua fala Afonso Burlamaqui.

 

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