Milton Lodi
 
 
 

INSEMINAÇÃO COMO REFORÇO

         Causou muita celeuma um artigo por mim escrito a respeito de inseminação artificial. Como é do conhecimento público internacional, essa prática é proibida em todo mundo. A ideia é a garantia da veracidade dos pedigrees nos registros oficiais em todos os Stud Books internacionalmente.
O Stud Book Brasileiro e a Associação Brasileira cumprem rigorosamente as leis que regem a criação, e assim, a inseminação artificial é proibida na criação dos cavalos de corrida, e no caso no Brasil, já houve fiscalizações em haras, que mostraram-se infundadas, mas que pelo menos mostraram mais uma vez o rigoroso cumprimento das determinações legais. Com os recursos modernos como o DNA dos cavalos, chips colocados em todos os produtos nascidos introduzidos na sub derme, e outras práticas recentes, é de absoluta confiabilidade no setor de registros do Stud Book Brasileiro, e que acredito que também o seja nos demais turfes civilizados.
Mas dentro dessa proibição, veio a notícia de que, em casos muito especiais, poderia ser autorizada a prática de, “excepcionalmente”, em casos muito especiais, de um reforço quando da cobertura por garanhões já debilitados, pelas altas idades por exemplo, com a consequente inoculação nas éguas, logo ao seguir da cobertura, de sêmen fresco, digamos assim a sobra da ejaculação, como confirmação, como reforço. Apenas como simples exemplo, sem quaisquer conotações com a eventual realidade, do cavalo norte-americano Wild Event, com quase 50 filhos ganhadores de Grupo 1 além de netos também ganhadores de Grupo 1, que está a beira dos 26 anos de idade. Com a idade maior, o volume de esperma vai naturalmente diminuindo, e consequentemente o número de espermatozóides vivos e em boas condições, e sob um certo ponto de vista, jogar fora a sobra do sêmen fresco, em condições especiais, seria um contra senso.
Após ter tomado conhecimento de um artigo publicado pelo turfista Renato Gameiro, defendi a utilização da inseminação a fresco como reforço logo após a cobertura natural, mas equivocadamente prolonguei o assunto, dando erradamente ser aquela prática especial, como uma prática permissível de um modo comum. O meu pai e eu criamos cavalos de corrida por quase 60 anos, criamos aproximadamente 1.300 produtos, e nem se pensava em inseminação artificial, que sempre foi proibida, e para não perder oportunidades de cobrir éguas então receptivas por falta de disponibilidade do reprodutor escolhido, trabalhavam simultaneamente cerca de 6 garanhões, de forma que as éguas eram distribuídas procurando evitar acumulo de éguas na mesma ocasião para um determinado garanhão. O que estou querendo dizer é que, estendendo-me mais do que necessário no tal artigo, expressei-me mal, escrevi mal, dando margem a corretas censuras a respeito. Como escrevi mal, mereço as contestações. Para concluir, desejo lembrar que fui por muitos anos um dos dirigentes da Associação Brasileira, e inclusive participei, no primeiro ano de atividades da Associação quando teve transferida a sua sede para São Paulo, do plano fiscalizador do Stud Book Brasileiro em todos os haras brasileiros, e o que eventualmente não estava certo foi devidamente corrigido, e de lá pra cá convenientemente fiscalizado.
Para terminar, desejo lembrar que o Brasil é um dos países internacionalmente líderes no cumprimento de todas as práticas e normas no sentido da veracidade e controle dos registros de sua criação. A nova determinação é um detalhe técnico procurando aumentar os índices de prenhes, sob especial e específica prática. Pareceu-me desnecessário lembrar mais uma vez a fidelidade do Brasil às normas ditadas pela FIAH. Porém, eu poderia simplesmente ter acrescido uma frase, como “respeitadas todas as determinações referentes à proibição de inseminação artificial”. É isso.


 

 
 

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