De volta ao passado

PRESTO – Como Num Passe de Mágica
Marco A. de Oliveira

A Tríplice Coroa Gaúcha iniciou sua edição 2019 na sexta-feira próxima passada. Atualmente disputada em duas versões (fêmeas e machos), algo que só ocorrera isoladamente nos idos de 1975/76, com Valione e Faneranto, respectivamente. Hoje, para rememorar um daqueles privilegiados que alcançou o galardão de Tríplice Coroado pelo JCRGS, recordarei um dos menos citados e lembrados. Antes, vamos ao significado do seu nome: PRESTO deriva do italiano com o significado de “pronto” ou “rápido”, servindo para identificar um andamento musical com movimento imediato; ou – na arte da prestidigitação – como uma palavra chave sinônimo de “passe de mágica” designando o exato instante em que a mudança, sob a orientação do mágico, ocorre. Por coincidência ou não, o propalado equino Presto foi de certa forma efêmero, singular e com um objetivo claro: tornar-se – como num passe de mágica – o Tríplice Coroado do ano de 1973, no Cristal. Na verdade, foi o quinto da lista. Tudo começara com Dinâmico do Sul (1947), depois o craque Estensoro (1959), ambos em Moinhos de Vento. Já na era Cristal, antecederam-no, pela ordem, o pequeno Takako (1965) e a ótima Corejada (1968). O fato é que Presto assemelhou-se em campanha ao primeiro ganhador. Tal como Dinâmico do Sul (ex-Dinâmico III) não ganhou muito; contudo o suficiente para ser imortalizado numa Tríplice Coroa. É claro, em muito pesam os adversários. Há Tríplices Coroados que enfrentaram turmas fortes e outros nem tanto, tal como Dinâmico do Sul (Batelero e Tentativa) ou Presto (Diplomata e Pata Moura); mas isso não diminuiu em nada o mérito da conquista, portanto...
Presto nasceu e foi criado por Francisco Provenzano Netto e Maria V. Provenzano, em seu Haras Quebracho (Bagé/RS). O potro castanho – nascido aos 12.09.1969 – provinha do reprodutor Diplomata (Fairy King e Cassia, por Caracalla) – diga-se de passagem um apreciável veio paterno – na também nacional Pata Moura (Quasi e Albaneza, por Alvis). Adquirido ainda inédito pelo Stud Pampeiro, dos sócios Gen. Maurel Salgado, Mauro Vanzelotti, Olinto Borda – e não Borba como insiste o desmemoriado calendário clássico do Cristal – Streb e Waldemar Müeller; foi entregue aos cuidados profissionais do silencioso e altamente competente Gabriel Daneres Silva. O qual merece aqui este elogio especial. Aliás, Presto corria honrando a farda de seu treinador: “verde, faixa ouro”. Esta mesma que em Moinhos de Vento identificava a Coudelaria Brasil. A campanha de Presto durou somente duas temporadas, logo após sua magna conquista foi afastado das pistas. Recordemos pois, suas vitórias locais: 30.04.1972 – 1.200m (AL), em 1’17”, com Moacyr Silveira, sobre Cloléo (a três corpos), Bonsono, Abaris, Manslindo e Cristovam; 24.02.1973 – 1.400m (AL), em 1’29”, com Omar Batista, sobre Preconceito (a três corpos), Marcelo, Mar Moon, Sastre, Dicky, Marmicoc e Culterrano; 15.04.1973 – “G.P. Linneo de Paula Machado” (1ª Prova da Tríplice Coroa), em 1.609m (AL), fixando 1’42”2/5, com Olisses Ricardo, sobre Pratense (a vários corpos), Vitoriana, Cloritá, Estafeira, Hard Rei, Fair Abig, Marcelo, Marmicoc, Vol de Nuit, Dádiva e Lord Compositor; 13.05.1973 – “G.P. Derby Rio-Grandense” (2ª Prova da Tríplice Coroa), em 2.400m (AL), na marca de 2’38”1/5, com Olisses Ricardo, sobre Fair Abig (a vários corpos), Espartanus, Fair Star, Marcelo, Pratense, Perspicaz, Kardex, Lord Compositor, Vol de Nuit e Dádiva; 17.06.1973 – “G.P. Cel. Caminha” (3ª Prova da Tríplice Coroa), em 3.000m (AL), no tempo discreto de 3’20”, com Olisses Ricardo, sobre Marcelo (a vários corpos), Espartanus, Fair Abig, Pelejador, Perspicaz e Fair Star. Fechando desta maneira uma Tríplice Coroa ganha com imensa facilidade. Suas colocações mais importantes: 2° para Versátil (Prêmio Câmara de Vereadores – 1.300m – AÚ), 4° para Sadalidro (Prêmio Rodolfo Kley – 1.400m – AP), 2° para El Cencerro (Prêmio Antônio Joaquim Peixoto de Castro Jr. – 1.609m – AL), chegando à cabeça do titular da parelha em final eletrizante, todas em 1972; 2° para Estilizada (Prova Especial 10° Aniversário dos Empregados em Estabelecimentos Hípicos de Porto Alegre – 1.609m – AL) e 2° para Esteca (Handicap Especial para animais sem vitória clássica – 1.400m – AL), ambas em 1973. Totalizando cinco vitórias (três clássicas), três colocações clássicas e duas em provas especiais, sem contar as obtidas em páreos comuns.
Note-se que Presto pintou muito bem em seu início de campanha, porém tornou-se refém de algumas baldas e quando o percurso foi se alentando finalmente pegou carreira. Neste sentido, vale salientar que a condução de Olisses Ricardo foi de grande valia. Jóquei de não dar moleza com animais duros de rédea, ao fixar-se como seu piloto, Olisses encarreirou o potro e este deu-lhe a glória de repetir o feito do irmão Antônio Ricardo com Estensoro: alcançar a tão ambicionada Tríplice Coroa.

Na foto vitoriosa, após a conquista no G.P. Linneo de Paula Machado, abrindo a Tríplice Coroa, aos 15.04.1973, no Cristal; vemos – cercando o vencedor Presto e seu jóquei Olisses Ricardo – os titulares do Stud Pampeiro. Da esquerda para a direita, temos: Waldemar Müeller, Gen. Maurel Salgado, Olinto Borda Streb e Mauro Vanzelotti.            

 

 
 

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