Marco Aurélio |
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O MATUNGÃO Fogos no céu e bronca na GáveaTurfistas fecham o ano cuspindo marimbondo Quarta-feira, 29 de dezembro. Abro minha caixa postal e verifico que tenho mais de 10 mensagens. Penso logo que os amigos começaram a enviar os votos de Feliz Ano Novo pro matungo. Tratei de abrir os e-mails e... ledo engano. Eram protestos e mais protestos pela não desclassificação da égua Feliz da Vida, no primeiro páreo da corrida de terça-feira (28). A bronca era geral e, por incrível que pareça, até gente que apostou na égua montada pelo Ricardo se dizia envergonhada pelo ocorrido. O prejuízo foi flagrante. Nos credenciados, apostadores que fizeram a Super Tri começando com a Feliz da Vida ofereciam a pule pela metade do valor. Assisti pela televisão e, na imagem lateral, deu para perceber que a égua montada pelo Ricardo correu para dentro nos metros decisivos, mas deixando a (falsa) impressão de que nada de errado acontecera. Agora, com a imagem de frente, a coisa mudou completamente. Ficou nítido que a Feliz da Vida saiu da linha sete, mais ou menos, e foi de encontro à Psicodélica, chegando a chocar-se, de leve, com a pilotada do aprendiz, que precisou até recolher sua conduzida. Depois de assistir aquilo imaginei que a desclassificação era fato consumado. Um amigo, que enxerga corrida, me ligou com o páreo ainda em julgamento e disse: “A desclassificação é a maior barbada do fim-de-ano”. Qual não foi a minha surpresa ao ver acesa no totalizador a palavra “confirmado”. É claro que a Comissão de Corridas pode analisar a carreira através de imagens de várias câmeras, que não são mostradas ao público, mas do jeito que aconteceu o prejuízo nenhum ângulo seria capaz de modificá-lo. Ouvi de um amigo que um proprietário novo chegou ao Jockey com a intenção de comprar um corredor em um dos páreos de claiming da reunião. Ao assistir a confirmação da vitória de Feliz da Vida, desistiu. Existe um Código de Corridas e não creio ser tão difícil assim interpretá-lo. O prejuízo aconteceu, a égua que sofreu o delito de raia tinha ação para passar e, não tenho dúvida que sem o prejuízo, teria, pelo menos, brigado pela vitória. Não consigo, em sã consciência, encontrar um argumento que justifique a confirmação daquele páreo, apesar de envolver o maior jóquei do turfe brasileiro e um aprendiz. A bronca foi muito grande, entre turfistas, proprietários e profissionais. É preciso mais critério na hora de julgar as provas. Já vi prejuízos bem menores serem punidos com desclassificação. A credibilidade é fundamental para o apostador. Fim de ano trágicoEmbora esta seja uma coluna de turfe, temperada com humor, não posso ficar alheio a duas tragédias que aconteceram na última semana. As tsunamis, na Ásia, provocaram mais de 150 mil mortes (até agora) e é qualquer coisa de intolerável. Fatalidade? Creio que não, uma vez que o mundo tem tecnologia para monitorar terremotos nos oceanos Atlântico e Pacífico. Por que não existe isso em relação ao Índico? A primeira onda gigante levou quase duas horas para atingir o litoral. Se a catástrofe tivesse sido prevista, haveria tempo suficiente para evacuar muita gente e salvar vidas. Outra tragédia absurda aconteceu bem perto, em Buenos Aires , quando 174 pessoas morreram e mais de 800 ficaram feridas num incêndio criminoso e terrível numa discoteca. Mas, o crime maior foi o da ganância de um infeliz que colocou o dobro da capacidade de pessoas na casa de shows e ainda mandou lacrar as saídas de emergência com medo de que pessoas entrassem sem pagar. Este infeliz tem que passar o resto da vida na cadeia. Entre os mortos, crianças e adolescentes. Uma barbaridade. Um réveillon acidentadoJá fazia algum tempo que o bucéfalo não ia conferir os fogos de fim-de-ano nas areias da praia. Pra quem nunca viu é fantástico, mas com quase 40 anos de Copacabana, a coisa já não tem tanta graça. A gente acaba preferindo evitar o tumulto e ficar vendo pela televisão mesmo. Mas este ano, atendendo ao apelo de amigos e familiares, o matungo se vestiu de pai-de-santo (todo de branco), sacou uma garrafa de champagne e seguiu com a turma para a praia. Isto depois de algumas horas no bar da esquina e muitas tulipas cheias daquelas que descem redondo... O povo se aglomerava, ansioso pela meia-noite (aliás, 23 horas, pois estamos no horário de verão). Passavam ambulantes vendendo camarão no espeto, cerveja, amuletos e muita gente literalmente “acampou” nas areias com frango e farofa, para consumo próprio. Começa a contagem regressiva e o matungo, mais pra lá do que pra cá, toca a sacudir a champagne. Meia-noite, muita festa e tento abrir a Moët. A pressão era tão grande que a rolha subiu... subiu... subiu até atingir um urubu desavisado, que tombou morto, na hora, e acabou virando despacho. Fogos, ninguém viu, pois uma nuvem negra tomou conta do céu de Copacabana e frustrou todo mundo. Perdi-me dos parentes e acabei numa roda de samba. Foi uma festa só até o dia raiar. Com o sol forte na cara, despertei com um gari me cutucando e dizendo: “Acorda aí, já estamos em 2005” . Frases que merecem ser lidasContinuando em nosso espaço matungo-cultural, vamos a mais uma frase que merece destaque: “Visão é a arte de enxergar coisas invisíveis” (Jonathan Swift) Rapidinhas* A estréia da nova geração foi, sem dúvida, um dos atrativos da primeira corrida do ano. É sempre muito interessante assistir aos primeiros páreos de potros e potrancas, alguns já dando pinta de que vão buscar espaço na turma. Precocidade é fator preponderante. Mas, tentar “apressar” a estréia dos mais novos pode ser fatal para o futuro de um corredor. * Um programa sobre turfe está sendo veiculado no canal 6 da NET, às quartas-feiras, com início às 19h20min. Anoar de Salles e Luiz Antero estão à frente. Os dois também anunciam que voltará em breve o Boletim da Gávea, com notícias do turfe. Vamos conferir. * Esta semana, em Montevidéu, a maior festa do turfe uruguaio, com destaque para o GP Ramirez. Ricardo estará presente, participando de algumas provas importantes. Marcos Rizzon, o viajante do ano de 2004, também estará lá. Recorde de público e de apostas, com toda certeza. * O casal Luiz Edmundo Barbosa e Christina Garlipp, curtindo as festas nos Estados Unidos, aproveitou para rever Pico Central e Nikinipó. * O MATUNGÃO VIBROU: os tempos vão piorar muito, mas pelo menos o número de manqueiras vai diminuir bastante. Parece que a areia que ficou pegando sol durante muito tempo no pião do prado já está na raia. Como diriam os adolescentes de hoje: “demorô”... * O MATUNGÃO NA BRONCA: em resolução publicada ao apagar das luzes de 2004, a Comissão de Corridas anunciou os prêmios para o primeiro semestre de 2005. As provas de Grupo receberam o mesmo tratamento que vem sendo praticado há anos. Os páreos comuns, também, continuam como dantes no quartel de Abrantes. Cabia bem, por aqui, a já famosa frase do Boris Casoy... * Em virtude de problemas no passaporte, o matungo decidiu adiar a viagem à Cordilheira dos Andes. Fui convidado para fazer parte do júri que escolherá a rainha da bateria da Escola de Samba Unidos da Quinexata. As cinco candidatas foram escolhidas a dedo e não vai ter moleza. Antes, assisto a uma exibição dos jovens da Trifeta do Amanhã... Chega! * Patrocinadores: Haras Fátima e Márcio, Stud Maroni e Stud Chico City II.
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