Gerson Borges Macedo
 
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PINGANDO AZEITE

diretor@crcpr.org.br

TCHAU 2004... JÁ VAI TARDE!!!

Será que não é pecado falar assim de um ano, que apesar das dificuldades estamos atravessando e devemos chegar do outro lado vivos? Quem sabe o que é pecado ou não? Acho que pecado é a falta de humanidade, de respeito ao semelhante e a desonestidade que campeia neste mundo louco em que vivemos!

Em nosso mundeco do turfe, convenhamos, o 2004, com exceção da nossa criação e, em especial ao momento paranaense, pouca coisa irá deixar saudades.

No Tarumã começamos 2004 como terminamos 2003 – com movimento de apostas abaixo da “linha da miséria”, ou seja, menos de R$ 100 mil. Com programas fracos e páreos vazios nos arrastamos até 10 de março, quando demos um tchau e saímos da TV e entramos no ostracismo que durou até 5 de novembro, quando voltamos à mídia. Foram quase 8 meses de corridas caseiras – sem transmissão televisiva e que, em face a ausência de qualquer trabalho de divulgação e de se tornar viável uma reunião digamos “doméstica”, era evidente e qualquer um saberia que não daria certo.

Menos mal, a diretoria percebe o problema, volta atrás e acha uma fórmula de jogar nossa programação de volta para o Brasil e com um plus – a rede do JCB também passa a apostar em nossas corridas. O retorno é animador e a consagração veio com o GP Paraná corrido numa sexta-feira sob o nariz torcido de um monte de gente, inclusive o meu, mas que contabilizou um sucesso técnico e financeiro digno de nota. Agora nossas corridas “vão ao ar” a cada quinze dias e parece que entre trancos e barrancos, pelo menos estamos na estrada certa – o que já é convenhamos um consolo.

2004 nos reservou momentos de muita tristeza por estas paragens. A morte de Ciro Frare, assassinado por um funcionário, foi talvez para o nosso turfe o acontecimento mais triste do ano. Ciro não deixou saudades somente pela pessoa que era, mas também por tudo que fazia pelo turfe (e olha que tive de ouvir de um alto dirigente que Ciro Frare nada fazia pelo nosso turfe). Ouvidos servem também para ouvir essas “pérolas” .

Na última reunião do ano, noticiamos a morte naquele mesmo dia de Mitch-Boy – um romeno de coração brasileiro, fiel companheiro de Ciro Frare e que talvez desgostoso com a ausência do amigo, resolveu também se mudar para o andar de cima. Para completar a seção tristeza recebo a notícia – sábado retrasado, do falecimento do amigo Wilson Motta. Ex-jóquei, professor da escola de aprendizes, pisteiro de leilões, muito cedo “viajou fora do combinado”. Gostava de assistir as corridas na sala da Comissão de Turfe e era ali que batíamos sempre um papo, invariavelmente com uma brincadeira endereçada ao Alessandro Reichel, que do outro lado do balcão se obrigava a ouvir nossas pataquadas. Motinha sempre me agradecia pelas notas publicadas aqui mesmo no JT e ditas na TV sobre o brilhante trabalho da Escola de Aprendizes do Tarumã.

Tomara que 2005 chegue logo, trazendo consigo momentos mais felizes que 2004. Tenho a impressão que meu pedido será atendido, e com a graça de Deus estaremos juntos fazendo a história de nosso turfe!!! Espero que todos tenham passado um grande natal (cheio de paz) desejando, também, um ano novo com muitas barbadas e muita saúde!!! Até 2005...

RÁPIDAS, RASTEIRAS E VENENOSAS

* Entre 1993 e 1994 – o maior jornal do Paraná – Gazeta do Povo, que aliás sumiu com a página diária de turfe e ninguém fez nada viável para reverter a situação, publicou uma série intitulada “300 Histórias do Paraná”. Eram textos, crônicas e relatos, feitos por pessoas comuns da sociedade, por políticos, historiadores, professores, profissionais liberais, etc e até por nós – simples cronista de turfe, que viu publicado nesta histórica série, a história do cavalo que começou uma corrida com um jóquei e terminou com outro – já contada aqui mesmo no JT e que teve o Hipódromo de Uvaranas como palco há 25 anos atrás. Agora, através da Lei de Incentivo à Cultura, a Prefeitura de Curitiba, a Fundação Cultural de Curitiba e outras entidades, lançaram uma coletânea com esses 300 textos, cuja tarde de autógrafos aconteceu no sábado (18), em um shopping da cidade. Fica aí registrada para a posteridade, em forma de um belo livro a história de Uvaranas, que eternizei na publicação com o título “Acredite se Quiser!”.

* O já saudoso Mitch-Boy me contou certa vez durante um churrasco nas cocheiras do Haras Cifra – com aquela voz rouca e seu sotaque engraçado, uma história envolvendo uma empregada sua e o programa da Xuxa. Quem teve a oportunidade de ouvir o relato deve estar como eu, rindo até hoje quando lembro do fato.

* E a crônica de turfe se reuniu para o jantar de final de ano. Mais uma vez o Comendador Flexa Ligeira roubou a cena e foi a atração do restaurante. Outro fato digno de nota é o apetite de nosso presidente Mário Sérgio “Nearco” “Zuca” Silveira Márquez. Impressionante a voracidade de nosso comandante... derrubando o Comendador (até então o líder de geração) para páreo de claiming. E desta feita ele ficou até o final da festa. É o espírito natalino. Será???

* Estas reuniões da crônica são uma fonte inesgotável de histórias e estórias, que alimentam nosso estoque e que na seqüência estaremos relatando aos ávidos leitores que se deliciam com as aventuras do Comendador Flexa Ligeira e seu séqüito. Mas este relato não envolve o Flexinha e sim um outro cronista que como sempre, não revelo o nome nem por um exemplar do par de botas de couro de canguru negro albino, que o Guilherme Ronconi usou na última sexta-feira. O digno e criativo sujeito, arrumou uma namorada que, segundo dizem, só perde em fortuna acumulada para a dinastia de Dalton Mehl Andrusko. Se bem que este corre em “walk-over” e não lhe pegam mais! Pois bem, o nosso herói, para fazer um agrado a doce amada, resolveu convidá-la para um belo jantar, com direito a champagne francesa e iguarias dignas das histórias das mil e uma noites. Porém, antes de marcar o restaurante, tomou o cuidado de ligar para vários deles e descobrir qual o único que não aceitava o cartão de crédito que ele tinha. Uma vez descoberto o estabelecimento o plano era infalível! O jantar foi maravilhoso, num clima de amor eterno. Na hora de pagar... um probleminha!!! A casa não trabalhava com aquele cartão de crédito e aí a solução encontrada após algumas cenas teatrais dignas de Oscar – foi a convidada gentilmente pagar a conta. É mole ou quer mais?

* Muita gente nos perguntando porque o Dalton Mehl Andrusko não faz mais parte da equipe da TV Jockey. Como muitas perguntas foram feitas por pessoas de outros Estados, que acompanham a TV, vou explicar publicamente. Quando houve a parada temporária das transmissões das corridas do Tarumã pela TV, e como nas programações “caseiras” não havia necessidade de comentarista – ficou dispensada a presença sempre responsável e útil do nosso Dalton. Com a volta das corridas pela TV – esperava-se o retorno de nosso comentarista maior. Porém, a diretoria do JCP, sempre buscando a redução de despesas, e nesse mister a crônica é sempre o primeiro alvo, como se ganhássemos salários estratosféricos, achou por bem oferecer dois litros de leite de pato para o Dalton – que conta com mais de trinta anos de brilhantes serviços ao turfe paranaense para empunhar o microfone da TV Jockey – e durante seis horas falar para todo o Brasil, assumindo riscos e ofertando seu conhecimento. Necessário dizer, que com exceção do Edson Ruck que é funcionário do Jockey, os demais integrantes da equipe quase nada recebem, inclusive eu, que a partir de janeiro dispensarei minha polpuda remuneração, que aliás foi ajustada pela ultima vez há seis anos quando o presidente era... nem me lembro mais!!! Se é para colaborar com o clube, coisa que a crônica faz há quase um século – então vamos fazer na base do leite de pato mesmo.

* A promoção “Os melhores do Ano” organizada pela incansável Associação dos Cronistas de Turfe do Paraná, pelo terceiro ano consecutivo e com sucesso total, vai mudar de parâmetros no ano que vem. Agora o período de abrangência da votação será o ano calendário – ou seja de 1° de janeiro a 31 de dezembro e visando escapar dos inúmeros acontecimentos da festa do GP Paraná, deveremos entregar os cobiçadíssimos troféus no ano seguinte, por ocasião do Turfe Paranaense ou do Derby. È a crônica fazendo a sua parte...

* Tenham todos um 2005 de muito sucesso. A gente se encontra no ano novo!!!

 

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