Flávio Markman |
|
|
JCSP: CONSIDERAÇÕES GERAIS Stephen Kanitz, o colunista de “Ponto de Vista” da revista Veja, abre o seu artigo na primeira edição do ano da seguinte forma: “Por que os Estados Unidos são o país mais bem-sucedido do mundo? Por que são um país que resolveu o problema da miséria e da estagnação econômica, ao contrário do Brasil? O segredo americano, e que você jamais encontrará em nenhum livro de economia, é que os Estados Unidos são um país bem administrado, um país administrado por profissionais.” A assertiva cabe como uma luva para o nosso Jockey Club. As desastradas administrações que, infelizmente, somos obrigados a nos sujeitar, há muito tempo, têm nos oferecido a escola do amadorismo que se caracteriza, enfim, pelas decisões desajustadas, muito longe do mínimo que se poderia desejar. Não se diga que os dirigentes são incompetentes, relapsos ou preguiçosos no cumprimento de seu mister. O que são mesmo é amadores. Amadores com todas as letras. Imensamente amadores. O que se quer dizer, na verdade, é que, na época atual, das grandes reformas, os arcaicos mandamentos que regem o JCSP proporcionam aos que o dirigem um documento hábil para as transgressões de toda a espécie, em detrimento daquilo que mais se almeja - um turfe opulento, de prêmios consideráveis e de disputas que possam chamar a atenção da mídia, para que com a velocidade imediata dos meios de comunicação, seja possível atrair uma grande massa de aficionados, principalmente os jovens que perdemos, sem nenhuma concorrência, para outros lazeres que lhes são oferecidos, principalmente os bingos e as máquinas caça-níqueis. Quando se acredita que estamos diante de um quadro onde se presume que o social é a fonte criadora do turfe, tendo em vista que durante anos seguidos o JCSP foi chamado de “a sala de visitas de São Paulo”, com as suas ofuscantes instalações, que chegaram a receber as mais altas autoridades que despontavam mundo afora, servindo, como exemplo, a rainha da Inglaterra, incorremos num sério erro. Erro que é reparado na própria estória do clube, ao se verificar que toda a base foi edificada com o resultado colhido nas apostas sobre as corridas de cavalos, que, de uma maneira ou de outra, produziram os resultados que, sem sentir, estamos acostumados a ver: a magnitude do complexo que compõe o patrimônio da entidade, agora mantido a duras penas por diretorias que nunca disseram a que vieram. Há que se entender que o JCSP é, antes de tudo, um entidade bipartida, onde o social (composto por sócios pagantes e que têm as regalias próprias determinadas pelos Estatutos) não deve se confundir com o turfe (jóqueis, treinadores, proprietários, cavalariços, veterinários etc) regido por normas específicas do Ministério da Agricultura que lhe outorga, inclusive, a título precário, a carta patente necessária para o seu funcionamento, deixando claro que a concessão se refere à exploração de corridas de cavalos puro-sangue e ao seu incremento em nível nacional que pode até ser cassada com o descumprimento de certas determinações referidas objetivamente. Assim a própria Lei Maior nem se refere ao “social”, já que o escopo fundamental diz respeito mesmo “ao incremento da criação nacional” e aí ao turfe como um todo que é, um comprovado gerador de múltiplos empregos. A eleição para a nova diretoria já se avizinha e a disputa será travada no mês de março de 2005. Nomes já estão sendo cogitados e já não é tempo de acreditar que os candidatos, como sempre aconteceu, vão querer aprender com a própria prática do cargo que irão ocupar. Estamos cheios do perverso amadorismo dominante nas diretorias “sociais” que sempre nos são apresentadas. Que fiquem com o “social”, não nos importamos com isso, mas deixem o nosso turfe em paz, nas mãos de administradores profissionais e aí, como diz Kanitz “teremos uma nova era muito promissora”. O turfe clama por isso!!!
|
||||
Home |
|||||