De Volta ao Passado
 
 

PRINCESA – “ATÉ DEBAIXO D’ÁGUA
Marco A. de Oliveira

            Normalmente, o “G.P. Princesa do Sul” é disputado sob o sol do entardecer mormacento de março. Afinal, aqui belas bandas do nosso Rio Grande do Sul, março é por tradição um dos meses mais secos, ensolarados e – por vezes – com temperaturas mais elevadas que janeiro ou fevereiro.

Naquela épica época a Rádio Itaí Ltda., com a inconfundível narração de Vergara Marques, não se furtava aos grandes eventos interioranos e o Princesa era a festa maior. Assim, foi pelas ondas do rádio que acompanhei – aos quinze anos de idade – a descrição de um “G.P. Princesa do Sul” que teve como peculiaridade uma chuvarada de fazer inveja. Nove animais cumpriam o campo da magna prova (10ª do Programa Oficial que se compunha de um total de onze), naquela úmida tarde de 14.03.1971. O “forfait” da égua Momastre (nº. 9) – vencedora do Princesinha 1969 (G.P. Jockey Club de Pelotas) e policlássica no Cristal – por si só não diminuía a importância do páreo. Os oito restantes bastariam para garantir um percurso eletrizante. Com algum atraso, comum para o tempo da fita, por volta das 17h15 entraram à pista num dos raros momentos de trégua da chuva os seguintes concorrentes e respectivos jóqueis: 1- Edimburgo (Luís Freitas) “branco, verticais pretas”; 2- Egípcio (Edson Ferreira) “encarnado, estrelas pretas”; 3- Festivo (José Lein) “azul, luas e boné rosa”; 4- King Scotch (Eloré Raymundo) “maravilha, braçadeiras e boné branco”; 5- Gaditano (Carlos Gomes) “rosa, faixas azuis cruzadas”; 6- Estissac (Moacyr Silveira) “com a mesma farda de King Scoth, mas com número diverso pois estava entregue a outro treinador”; 7- Gavarni (Adão Colares) “preto, estrela e braçadeiras ouro”; 8- Manoseo (J.J.Rivero) “laranja, faixa branca”. Embora a idade avançada e o nítido ocaso de campanha, a performance clássica de King Scotch (8 anos), Gavarni (7 anos) e Estissac (6 anos), lhes impunha uma condição preferencial nas apostas. Notadamente o último que, com campanha na Gávea até os cinco anos incluindo vitórias clássicas, voltara ao Estado que o criara para – ainda em boas condições atléticas – buscar um derradeiro laurel nobre. Mas carreiras são carreiras, ainda mais naquelas condições de pista encharcada. Assim, os 2.300m foram percorridos em um tempo fraco de 2’30”2/5 para a distância. Vale lembrar que o recorde pertencia a Gobelin, que em 1969 fixara 2’26” e em 1972 seria melhorado por Lexikon para 2’25” cravados. Pois bem, de nada adiantou a experiência dos velhinhos King Scotch (vencedor do Princesa 1970) e Gavarni (flamante ganhador do Cidade de Rio Grande daquele 1971), a reta final mostrou nítida predominância de três nomes: o favorito Estissac – que esmoreceu no final , o representante da capital Egípcio (cavalo aguerrido mas sem conquista clássica) e o uruguaio Gaditano – que como bom charrua chegou quieto e ficou com os louros – após travar com Egípcio duelo emocionante por boa parte da reta até o disco. Méritos ao treinador S.D.Ferrari e vivas ao proprietário do ganhador, Stud Quo Vadis.

É assim que se faz o turfe, muitas apostas e boas lembranças. Não é isso meu caro Prof. Paulo Fiss? Obrigado pela cedência da foto que nos propiciou ilustrar este singelo relicário da Tablada.

P.S. (I): Estaremos em nossos próximos artigos deste mês tributando matérias à história da Cidade Berço Cultural do Estado. Um abraço aos pelotenses.

P.S. (II): Infelizmente o G.P. Princesa do Sul 2010 não será corrido no próximo domingo (como estava programado). O Ministério da Agricultura cassou a carta-patente do Jockey Club de Pelotas no início deste ano e, desde então, lá não temos corridas. Uma pena!     

Os animais pisam na raia encharcada da Tablada para o cânter que antecedeu a disputa do G.P Princesa do Sul (1971).

 

 
 
 
 
 
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