CRÔNICA DA GÁVEA
UM VOTO DE CONFIANÇA
Passada a campanha eleitoral e vencida a eleição pelo candidato da situação, nossa obrigação como profissional de imprensa é estender a mão ao vencedor, em que pese termos apoiado o candidato da oposição, que a nosso ver e de muita gente, seria o candidato ideal para o turfe e não para aqueles sócios do clube que visam apenas usufruir das benesses que a entidade carioca oferece.
Não conhecemos o novo presidente, mas certamente em breve o conheceremos pessoalmente, aí então, teremos a oportunidade de dialogar com o mesmo e sentir se efetivamente irá ele olhar para o turfe, com os olhos de um bom administrador, como se comenta, que é, ou se tudo era mera “cortina de fumaça.”
No domingo, 1º de junho, estivemos no prado, certos de que, iríamos nos deparar com o novo dirigente carioca. Mas, qual a nossa decepção. Ninguém, absolutamente, ninguém, na Tribuna de Honra. Até certo ponto, desculpável, isto porque chovia e fazia frio e talvez o digno e novo dirigente do turfe do Rio de Janeiro seja avesso a esse tipo de clima.
Ao passar pela social, um amigo nos informou que o turfista e destacado criador Afonso Burlamaqui, bem como Luis Felipe Brandão dos Santos (atual campeão da Estatísticas de Proprietários, por vitórias e somas ganhas) levaram todos os seus cavalos para Campinas (SP). Outros proprietários também estão fazendo o mesmo, em suma, ao que parece um êxodo de aproximadamente 250 animais deixarão o Rio de Janeiro, rumo a Cidade Jardim, em razão dos resultados a princípio funestos, para o turfe carioca.
É publico e notório, que nós apoiamos Claudio Ramos, e isso ficou claro em nossas crônicas. Mas, pelo fato de ter ele, lamentavelmente, perdido as eleições, é que vamos mudar a casaca? (como se diz na linguagem popular)
Mas a eleição já passou e o turfe precisa prosseguir sua trajetória com o novo eleito, para o agrado e desagrado de muitos. Não é nosso costume, “malhar” alguém sem razão e por enquanto, não nos é dado o direito de sair de pronto, malhando o novo dirigente carioca. Dizia certo político, que fazer política é “a arte de engolir sapos”. Vamos engolir o sapo, sacudir a poeira e dar a volta por cima, porque antes de tudo, está nosso interesse pelo engrandecimento do nosso turfe. Que o sr. Carvalho faça uma boa gestão (para rimar), é a nossa sugestão.
O PRIMEIRO GRANDE TESTE
Entramos no mês de junho, que por certo voará sem que se sinta passar. A seguir julho, aproximação da festa máxima do turfe carioca e quiçá brasileiro. Esse sem dúvida o primeiro e grande teste para avaliar o comportamento da nova diretoria do Jockey Club Brasileiro. Vamos ver como vai funcionar o departamento de marketing da nova diretoria, porque na que passou, como dizem, passou e ninguém viu...
Sucesso, não se compra em botequim. Só quem tem vivencia na área, sabe manejar para chegar ao auge. Aliás, no particular, o Jockey Club de São Paulo, dá um show de competência, bastando que se veja o sucesso da grande festa paulista em maio último. Se não souberem, basta ter a humildade de pedir ajuda ao coirmão da paulicéia.
SOU UM HOMEM DE CARÁTER
Outro dia, ao chegar ao prado para assistir as corridas, este escriba passou junto a dois cidadãos que parados, pareciam não se entender. Um deles, agitado, e batendo no próprio peito (tal qual King Kong), dizia ser um “homem de caráter.” Repetia a frase, enquanto o outro escutava. Nosso agente secreto apurou que o falante auto-elogiável, deve uma “grana” ao que tranqüilamente ouvia o falador. Ao que se sabe, o falador é proprietário de alguns “matungos” e vários treinadores já o recusaram porque o citado elemento não dá bom dia, para não abrir a mão. Até onde caloteiro é “bom caráter”?
UMA SUGESTÃO AO “BOSS”
O Jornal do Turfe é hoje, indiscutivelmente o melhor veículo de comunicação turfística existente no país. Cremos que já estamos com o Rizzon há mais de uma década, vez que, quando presidimos a Associação de Cronistas de Turfe do Rio de Janeiro, foi que o Rizzon nos convidou para colaborar com o seu jornal. O tempo voa e cremos que são mais de dez anos, ora com maior freqüência, ora com menor, que nossa CRÔNICA DA GÁVEA sai publicada. Por isso é que ousamos sugerir ao “boss” (Patrão) Rizzon, a organização de um concurso de caráter nacional, em cada um dos Estados onde há corridas de cavalos. A eleição da jaqueta mais bonita no referido Estado, para uma final da mais bonita do Brasil.
O prêmio, não é importante, vez que o que consideramos importante é a promoção, o agito, o turfe em última análise. Aí está a sugestão. A propósito, as diretorias do Rio e de São Paulo, também poderiam promover o evento. Quem quiser aproveitar a idéia, é livre para tal.
MANOEL CRUZ FATURA O DERBY DE OHIO
Eram 23h30, no horário brasileiro e resolvi ligar para o “Many”, pois ele não deu mais notícias depois de sua estada por aqui. Antes que ele dissesse “hello” (com sotaque californiano), fui logo me identificando em português. Ouvia-se uma algazarra enorme e então perguntei se ele estava em alguma boite. “- Boite, nada, meu caro, estou no aeroporto de Ohio, esperando um vôo para voltar a Miami, pois o que eu tinha reserva foi cancelado”, respondeu ele. Que é que fazes aí, se você monta em Miami? (perguntei). Faturei o Derby daqui, na milha com dotação de US$ 300.000 (trezentos mil dólares), respondeu. Na “valorosa” moeda brasileira, a “mixaria” de R$ 510.000,00 (quinhentos e dez mil reais).
OS FUNDISTAS RECLAMAM
Se observarmos os programas das corridas na Gávea, da semana de 22 a 26 de maio, vamos notar que dos 41 páreos formados na referida semana, apenas 5 (cinco) foram de 2.000m e nenhum acima dessa distância. O GP Brasil que já foi corrido em 3.000m, hoje reduzido para 2.400m, assim como o GP São Paulo, são as provas de maior habitualidade na distância, enquanto as de 3.200m se não me falha a memória, se resume em uma ou duas por ano, o que sem dúvida, para os fundistas é muito pouco.
Dirá o leitor turfista que tais páreos são obsoletos, na atual conjuntura. A meu ver, as melhores provas do mundo, são as das distâncias maiores. De 2.400m, as mais comuns. Contudo, se um animal preparado para uma carreira de 3.000m, vier a correr os 2.400m, pode ocorrer que ele, com preparo físico, largue na ponta e acabe com a corrida. É só uma questão de lógica. Não vamos nos esquecer de que o cavalo de corridas é um animal atleta, que se condiciona ao planejamento de seu treinador. Por isso mesmo, se ele possuir em sua corrente sangüínea dotes maternos ou paternos que o identifiquem para distância, é um pressuposto positivo de que esse animal por certo irá se comportar bem nela. É claro que não há regra sem exceção.
Um exemplo é Clackson. Esse saudoso garanhão tem demonstrado através de seus herdeiros, que na distância ele se destaca, podendo ser considerado um fundista. Entretanto, não raro vemos filhos desse garanhão, correndo páreos de 1.000 e 1.100m, ou seja, páreos de pura velocidade. Outro garanhão, que já morreu, mas que deixou filhos respeitados na distância, foi Spend A Buck. Lembra o leitor do ganhador do GP Brasil chamado L’Amico Steve? Ele vinha de um segundo lugar no GP São Paulo, após 7 vitórias consecutivas. Chegou em 2º, na mencionada carreira, mas logo depois, no GP Brasil, confirmou sua raça, ganhando a maior prova do turfe brasileiro.
Uma nova geração de potros está “pintando” e entre eles tenho observado os filhos de Put It Back, um reprodutor americano, filho de Honour And Glory, nascido em 1988, que tem demonstrado bom aproveitamento nas pistas.
Outro reprodutor que ao que parece não é muito valorizado em nosso país, mas que tem dado bons corredores na distância é Fahim. Our Emblem (1990), que descende de Private Account e Prodigious, tem tudo para se destacar. Seu irmão inteiro, Public Purse (1984) obteve 7 vitórias e em 14 apresentações, jamais esteve fora do marcador. Ganhou tanto na França, como na Alemanha, em distâncias acima dos 2.000m. Curiosamente, os seus filhos não são muito valorizados, mas já estouraram vários ganhadores clássicos.
NOSSO AGRADECIMENTO
Compromissos inadiáveis, não me permitiram comparecer ao GP São Paulo, cujo convite (por sinal muito bonito), recebi do presidente Márcio Toledo. Já havia inclusive arrumado as malas, mas na hora “H”, deu zebra. De qualquer sorte, este escriba agradece a gentileza, só faltando articular com o destacado dirigente paulista, o lançamento de nosso livro “Da-lhe Rigoni, Histórias do Turfe”.
VAI TER CHURRASCO
É comum, o turfista ouvir, nas Tribunas das entidades turfísticas, um “grito de guerra” do apostador apaixonado, quando faz uma aposta em uma “barbada”, especialmente se na reta de chegada, o ganhador se destaca por vários corpos. E, é aí que o apostador grita “segura pelo rabo...”, o que significa dizer que, para parar esse ganhador, só segurando-o pelo rabo.
É justamente isso que está acontecendo na estatística de treinadores do Rio de Janeiro. Julio César Sampaio (Alemão), lidera com grande folga, que nem segurando pelo rabo, como se diz turfisticamente, vão conseguir alcançá-lo. Já há até uma previsão de um “big” churrasco para comemorar e “bebemorar” a significativa vitória desse competente treinador. O local ainda não está definido.
AINDA TEM
Atendendo ao pedido de Silvio Piotto, já remetemos o livro “Da-lhe Rigoni – Histórias do Turfe”. A obra é sem dúvida interessante e conta histórias pitorescas de nosso turfe, da época de Rigoni, Castillo, Ulloa, Marchant e outros pilotos que marcaram época em nosso turfe. Aproveitem a chance. É só R$ 30,00, mais o porte do correio, de onde o leitor estiver. Pedidos: (21) 2240-4723 ou (21) 2240-4765 das 10 às 18 horas.
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