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ACTEON MAN, UMA GRANDE ESPERANÇA

Acteon Man
Às vezes é difícil de sequer acreditar. Mas o descrédito para com o reprodutor nacional, mesmo filho do importado idolatrado em odes e versos, é ainda enorme em nosso país.
Existe uma forma de se manter uma raça em um determinado centro criatório. E esta forma, ou poder-se-ia dizer fórmula, é simples, como toda regra deva ser. Ela depende em muito das reprodutoras, pois, mesmo em um país como o nosso, em que muitos não acreditam que cavalo de corrida tenha mãe, e a maioria dos que acreditam pensam que ela deva ter sido clássica em pista, mesmo com qualquer falta de pedigree que possivelmente tenha, a mãe é dado importante. Não notado, mas sempre existente. Pois bem, experimente pegar um nacional de ótimo calibre em pista, filho de um Royal Academy, de um Roi Normand, de um Jules, ou de um Spend A Buck, apenas para termos como exemplo, e a ele oferte éguas importadas, ou mesmo nacionais de linhas altamente transmissoras de classicismo, e eu lhe garanto que suas chances de manter a raça viva em nosso território serão grandes. Se não enormes, pelo menos maiores. Formar-se-á a nossa própria raça, miscigenada com o importado de bom valor.
Hoje não existem os filhos de Locris, Earldom, Waldmeister, nem mesmo os de Clackson ou de Ghadeer em plena evidência. E este crime contra a criação nacional não é de hoje. Ele se perpetua de geração em geração.

Dúvida Alguma (M.Acteon Man e My Dear Clara)
Vocês imaginem que, a um determinado tempo, trouxemos em uma só leva os segundo, terceiro e quarto colocados do Derby de Epsom, quando esta carreira era considerada a maior vitrine para a reprodução. Foram eles Swallow Tail, Royal Forest e Normaton. Evidentemente que eles caíram em três da meia dúzia de haras de ponta que tínhamos na época e as famílias Peixoto de Castro, Seabra e Rocha Faria os utilizaram. O primeiro foi sucesso, o segundo esteve na média, enquanto o terceiro pouco disse a que veio. Assim, nada dos mesmos pôde ser mantido até os dias de hoje. E foi pelos pequenos haras que, de alguma forma, estes três grandes cavalos foram capazes de sobreviver por mais de uma geração.
Sabot, por Normaton, ainda produziu um ganhador de Grupo, El Susto. Zuido e Código, por Swallow Tail, produziram o primeiro a Juca, o pai de Juanero, e o segundo, a Computador, este o pai de Lorde Ubaldo, Molhado e Parolin, E Júnior e Vaudeville, filhos de Royal Forest, são respectivamente responsáveis por Noscado e Yanbarberick. E depois? Depois, um grandessíssimo nada. Gigantesco como um elefante mirado pelas lentes de um binóculo. Estes três elementos, simplesmente, extinguiram-se por linhas superiores. E, pasmem: os três descendiam daquele que era a coqueluche do momento, Bois Roussel.
Lembro-me de dois outros importados da tribo Bois Roussel, via seu filho Tehran: Kameran Khan e Jour Et Nuit III. O primeiro, sediado no Haras Ipiranga, produziu a Itamaraty, cujo filho Grandote aproveitado em um haras de pequeno porte foi ainda capaz de produzir a Nick de Mestre. O outro, lídimo ganhador do Prix d’Ispahan, Jean Prat, Eugene Adam e Guiche, além de 2º colocado na Poule d’Essai des Poulains para Neptunus, foi ainda capaz de gerar a um cavalo chamado In Command, pai de Blessed Trust e, sob suspeita, igualmente pai de Riadhis, um dos melhores cavalos que vi correr em território nacional que, mesmo pouco aproveitado reprodutivamente, foi o responsável pelo aparecimento de El Astral.

N.N. (F.Acteon Man e Back For Good)
E tudo se foi ralo abaixo!
E o pior de tudo: a coisa vem se repetindo ano após ano. Seria esta a forma mais sensata de continuarmos a conduzir nossa criação? Penso que não.
O que se fez com Ghadeer e Clackson, recentemente, dois dos maiores reprodutores de nossa história, poderia ser tachado de criminoso. Era como se - guardadas as devidas proporções - os japoneses abandonassem os filhos de Sunday Silence e os britânicos, os de Sadler’s Wells, em prol dos importados de menor valia.
Podemos manter em voga o reprodutor nacional, abastecendo-o de sangue importado, mesmo sofrendo a pressão dos idiotas, louvadores de detração do óbvio, por óbvias razões.

N.N. (M.Acteon Man e Quinta-Feira)
Clackson foi fenômeno. Romarin e Redattore estão acima da média. Durban Thunder, Mastro Lorenzo e Hard Buck, já em suas primeiras gerações, soltaram aquelas fagulhas típicas e capazes de iniciar um incêndio. O que estamos esperando? Pela redescoberta da pólvora? Por que não darmos mais chances aos citados e a ele somarmos, por exemplo, um Top Hat ou outro qualquer que tenha demonstrado similar valor em pista?
O Aluízio Merlin Ribeiro tirou três cavalos que muito proprietário gostaria de ter: Keith Richards, Gorylla e Acteon Man. Por achar o melhor dos três e ainda por cima ter o melhor pedigree de todos, resolveu criar com o último.
Antes que venham me cobrar, tenho a dizer que criar cavalos de corrida é uma no cravo para nove no casco. Muitos dissabores, uma quantidade imensa de sonhos e pouca realidade. Mas o que há de se fazer? Quando a mosca azul nos pica, tornamo-nos cegos a aquilo que os de fora consideram irracional.
Vender cavalo de corrida no Brasil não é um bom negócio, como o é no hemisfério norte e até em nossa vizinha Argentina. Então, por que os argentinos vendem tão bem? Não sei. E o pior, nem imagino...
Logo, criar cavalo de corrida é ainda o caminho mais difícil para se chegar ao sucesso no turfe. Assim, talvez seja este desafio que faça os criadores brasileiros se esmerarem cada vez mais. Semana passada, Hard Buck demonstrou aquilo que se esperava dele. Um filho seu ganhou a prova de maior dotação de nosso calendário. Nada me parecia possível em suas duas primeiras gerações. No entanto, três ganhadores de Grupo, sendo dois de graduação máxima, logo na primeira geração, pareceram-me lucro. Mas, não é sobre ele que estarei falando aqui. Vou entrar numa seara ainda mais complicada. Seria relativo a outro elemento nacional, que poucos viram correr e os poucos, que o notaram, não aquilataram a qualidade intrínseca nele contida, quando ainda em pista. Estou falando do citado anteriormente Acteon Man.
Seu GP Ministério de Agricultura, quando bateu a seu companheiro de cocheira Gorylla, foi sublime. Ele, que segundo seu treinador, corria com 50% de suas condições físicas, naquela data, carimbou seu passaporte de forma definitiva para a reprodução, sendo que apenas duas pessoas nele confiavam: seu treinador e seu proprietário. Na primeira geração, apenas três produtos, um se acidentou e não chegou às pistas, os dois outros, em éguas de pouca qualidade, - para não se dizer nenhuma - são hoje vencedores. O macho Acteon Boy correu o Derby. A fêmea All Or Nothing não correu o Diana por ter se acidentado, mas conta hoje com 3 vitórias, sendo a última, obtida na Prova Especial Tirolesa contra 16 adversárias, alarmante. Ela brigou contra tudo e contra todas e venceu na raça, na bravura, na classe que seu pai tinha, mas poucos puderam notar.

Queen (Sadler’s Wells), com Rodolfo Lima
Poderá Acteon Man ser um bom reprodutor? Ninguém pode garantir que sim ou que não. Mas ele já soltou a fagulha com uma diminuta geração inicial. Assim, existem várias formas de acreditar. Todas são importantes. Todavia, nenhuma sem investimento. Você ainda não consegue fazer um reprodutor do nada. Para mim, a mais crível de todas está quando você vai lá fora e adquire um Sadler’s Wells e um High Chaparral, por seis dígitos, e traz para o Brasil para cobrir com ele um neto materno de Shirley Heights, e assim prover seus produtos do Rasmussen Factor em Lalun. Desta forma foi adquirida no Brasil La Imperata (Crimson Tide), descendente da mais importante linha materna do Haras Santa Rita da Serra. Sonho? Ilusão? Talvez. Mas o Haras Regina, cujo titular é um dos criadores de Acteon Man, acreditou e mandou-lhe este ano a excelente corredora Furia Olímpica, uma Astor Place (Sadler’s Wells). Aí me ponho a pensar; se All Or Nothing anda e não anda pouco, com uma égua de pedigree modesto, uma melhoria substancial no quadro de reprodutoras pode fazer os outros produtos de Acteon Man andar ainda mais. Daí as importações de Queen e Bela Chaparral e o ingresso de Furia Olímpica.
Acteon Man é uma 2-n, pela descendência materna da chefe de raça Key Bridge, e por isto Forever Marcia (uma irmã de Mensageiro Alado), Jacana (Woodman) e Nicolita (Know Heights) foram anexadas ao plantel, pois elas possuem igualmente este chefe de raça em posições estratégicas em seus respectivos pedigrees. Desta forma determinam Rasmussen Factors em razões plausíveis do tipo 5x4, 5x5 e 5x4, respectivamente.

Durants (Red Ransom)

Não só as éguas Ghadeer chamaram a atenção deste criador, pelo fato deste consagrado reprodutor ser neto materno de Habitat, logo possuidor do sangue de Somethingroyal, via Sir Gaylord. Isto possibilitou 5 produtos com este augusto Rasmussen Factor. Mal, não acredito que possa fazer. Não seria de bom alvitre lhe ofertar mais filhas de Ghadeer?
A norte-americana Regal Everyday - ela própria dotada de um Rasmussen Factor em Flaming Page - possibilita o Rasmussen Factor na mãe de Secretariat e Sir Gaylord, em cruzamento com Acteon Man - ele já possuidor de um Rasmussen Factor nesta mesma égua. A todo este processo somar éguas filhas de Red Ransom, Deputy Minister e Roi Normand acho viável.
Logo, no quadro apresentado, pode ser notado que todos os produtos a serem concebidos possuem de 15 a 22 chefes de raça, e apenas dois podem ser considerados de pedigrees abertos.
Esta é a forma de se dar chance a um reprodutor. O resto dependerá do indivíduo. Se isto funcionará ou não é outro problema. Dotando-o de éguas que o ajudem a transmitir aquilo do que seja capaz, você pelo menos criou a possibilidade, pois, nem todos serão Clacksons nesta atividade.
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